PARA MEDITARMOS... com MUITA seriedade (11):
LEI DO ESCUTA
2 – O
ESCUTA É LEAL
Este é um artigo difícil de compreender e mais ainda de
praticar. Que significa, então, “Lealdade”? Usemos o dicionário e descobrimos
que diz que a lealdade é “cumprir as obrigações do dever”. E Dever é “aquilo que
cada um tem obrigação de fazer”.
Mas porque temos obrigação de fazer alguma
coisa? Porque se parte do principio que é bom fazer. E começamos logo aqui a ter
dificuldades no que se refere à Lealdade.
É facto assente que devo obedecer
SEMPRE aos meus pais, MAIS DO QUE à Pátria? Qual é o critério a seguir?
É
ponto certo que devo obedecer SEMPRE a um Chefe (escuteiro)? Qual é o critério a
seguir?
É certo que devo SEMPRE proteger os meus amigos? Deve, SEMPRE, um
homem combater pela Pátria?
No 1º artigo da Lei já percebemos que se engana
quem se contenta com uma honradez medíocre, mascarando algumas coisas más com um
certo ar de boas, ou com alguma desculpa “justificadora”.
No entanto, e tal
como no 1º, o problema deste 2º Artigo é que, se não se aspira ao mais elevado,
pratica-se uma acção menos digna, julgando-a boa.
Porquê? Vimos que
“Lealdade” significa fazer algo que achamos/julgamos ser bom. Ora “julgar”
implica pensar… e são muitas as pessoas que “não pensam”… nem mesmo tentam
pensar. O resultado disto é que essas pessoas não estão capacitadas, ou
competentes, para saber se uma coisa é boa ou má. Pode acontecer que fazem o mal
sem o saber e fazem o bem por “motivos maus”.
Parece confuso não é? Mas é
simples: a Lealdade significa fazermos uma coisa por acreditarmos que ela é boa…
e isso implica PENSAR.
Como decido se uma coisa é boa ou má? Só pensando
sobre ela… certo? Mas antes permita-mo-nos a um conselho: NUNCA FAÇAMOS ALGO SÓ
“PORQUE TODO O MUNDO FAZ”!!! Pois tal facto (fazer porque os outros fazem) nunca
será uma razão suficiente em si mesma. O numero de pessoas que pratica uma acção
não muda a natureza da mesma: se todos os alunos de uma escola, falseiam um
teste (copiam, por exemplo), isto não transforma a mentira em verdade. E não é o
numero que torna má a acção, é a mentira.
Por outro lado, um pouco ao
contrário, também não é por ser o único, entre muitos, que tenho determinada
opinião, que isso seja motivo para não tomar uma decisão final… pensar… pois
poderei estar certo ou errado.
Temos de ouvir a consciência sobre o que
devemos fazer: isto é bom… aquilo é mau. Se não mover o braço durante muito
tempo, ele ficará sem força, inútil; o mesmo acontecerá com a consciência se lhe
“desobedecermos”.. com o tempo perde-mo-la e ficará inútil… tanto o braço como a
consciência são para usar… correctamente.
Então como resolver os problemas
sobre os quais não tenho certezas? Como fazer para acertar sempre?
Uma
estratégia é perguntar às pessoas em quem confiamos e que são competentes para
nos aconselhar sobre determinado assunto. Veremos que as pessoas que nos dão
bons conselhos, terão razões para tal… e sabedoria… e muito importante, não nos
forçarão, mas deixar-nos-ão decidir livremente.
E se os conselhos de várias
pessoas forem diferentes entre si, como saber qual o melhor?
Muitas vezes é
difícil, no entanto, pensemos que Deus “apenas” nos pede que conheçamos o BEM do
melhor modo possível. Se assim fizermos Ele não nos recriminará, se nos
enganarmos, pois a intenção era fazer BEM.
Exemplo disto é quando temos de
combater pela Pátria: se um homem pensa que matar é MAU em todas as
circunstâncias e vê esse critério reforçado pelos diversos conselhos – até o de
Deus – faz BEM, se decidir não combater. Ao contrário, outro homem que “odeia”
matar tanto quanto o primeiro, pode julgar justo fazê-lo para defender a Pátria…
e a decisão de lutar poderá ser boa, no seu caso.
Isto tudo é muito complexo,
pelo que ficam alguns conselhos:
- Não seguir a opinião geral, sem antes
aprender a pensar e a pensar bem, por si mesmo;
- Não ser orgulhoso e pedir
conselho a outros, lembrando que as pessoas mais velhas, quase sempre, têm mais
experiência;
- Se outra pessoa tem pontos diferentes dos nossos, não
condená-la e não pensar que as diferenças não importam. Há que admirar a sua
sinceridade e esperar que ela admire a nossa, estando de acordo que diferem
nesses pontos de vista (isto é extremamente importante quando se aplica à
religião);
- Rezar, mas não esperar uma resposta imediata como se fosse uma
carta;
- Se chegarem a uma decisão “justa” defendam-na sem angustias…