PARA MEDITARMOS... com MUITA seriedade (5):
UNIFORME OU FARDA? Para meditarmos quando pensarmos em usar as calças de ganga numa actividade... toda a roupa não escutista que nos "envaidece" apenas:
UNIFORME OU FARDA?
O que é o Uniforme?
Se procurarmos nos dicionários encontramos algo como:
1- Com a mesma forma, … Igual, … conforme, … semelhante, . Sinónimo de homogéneo, parecido, similar, constante, regular. Antónimos: heterogéneo, diferente.
2- Trajo igual e regulamentar das pessoas que realizam um determinado trabalho ou pertencem a um determinado corpo, grupo, etc.
…
Para que serve?
O uniforme tem como objectivo fortalecer a identificação dos elementos Escutistas, com um movimento que é nacional e mundial.
As características do mesmo são as estabelecidas no regulamento do uniforme e não poderão ser feitas modificações.
O uso do uniforme é de carácter obrigatório para os membros, dirigentes e jovens, em todas as reuniões e actividades. É um trajo de trabalho e de jogo. O uniforme escutista está adaptado a todas as actividades ao ar livre e à vida na natureza. As suas cores não são apelativas, mas falam da terra, combinam com as cores do céu, tanto de dia como de noite. Facilita os jogos. Permite protecção tanto contra o frio como calor. Nada no uniforme são elementos decorativos, mas respondem a necessidades concretas.
Que representa o Uniforme?
Para responder a esta pergunta, recordemos um artigo da revista francesa “Maîtrises”: «O teu uniforme é a resposta a uma necessidade dos jovens de hoje. Talvez já tenham ouvido dizer que os costumes e a roupa tendem para uma mesma "moda". Os trajos tradicionais desaparecem, mantendo-se apenas nos locais onde o tipo de vida ou o clima o exigem de forma imperativa. Estamos, sem duvida, muito distantes do tempo das cruzadas, onde cada um "empunhava" firmemente a cruz da sua ordem ou o estandarte do país. Parece, hoje, cada vez mais difícil encontrar entre a multidão quem fale a nossa língua ou quem compartilhe a nossa fé.
No entanto a “gente” do nosso tempo não perdeu o gosto pelas insígnias ou pelos escudos. Basta olhar em volta para nos apercebermos que as pessoas têm, mais que nunca, uma especial preocupação em personalizar a roupa, roupa de marca, ou o próprio corpo (tatuagem, piercing), enfim, sinais que servem para expressar as suas tendências e aspirações.
Do mesmo modo, os grupos que têm a seu cargo uma missão ou responsabilidade recorrem a roupa e insígnias particulares: soldados, bombeiros, policia, etc.
O uniforme é a marca de uma comunidade. É um sinal claro e visível, que emerge no oceano de indiferença que banha o mundo actual. O uniforme distingue-te na multidão e identifica-te no “acampamento” dos teus irmãos. É o símbolo que diz: “somos do mesmo sangue, TU e EU!”, como diz a lei da Selva. Mas é sobretudo um sinal do amor que nos reúne, o selo de nossa fraternidade. Um apelo ao outro. O que pode ser um sinal de contradição para alguns, é um UNIÃO para outros, pois o uniforme não é apenas uma prova de pertença: é uma chamada. Os que têm os mesmos gostos e aspirações reconhecer-te-ão e saberão que podem juntar-se a ti.
É um símbolo de desapego voluntário. O jovem que entra no escutismo opta por um tipo de vida que não agrada a todos. Deve ter consciência de que vai privar-se muitas vezes do conforto e comodismo, renunciar ao fácil, devendo procurar, pelo contrário, um conjunto de virtudes».
Que ensina o uniforme?
O uniforme é sinal de um espírito e de um estilo (que não é o mesmo que “moda”). O uniforme é revelador de um estado de animo, de uma escola de espiritualidade.
Por exemplo:
- O lenço e UMA ANILHA (só uma meus caros), simboliza aliança com os membros do grupo (a anilha na ponta do lenço significa união fraca, por isso se usa mais próxima do pescoço - união forte);
- Arregaçar as mangas da camisa, significa acolher as exigências da vida e estar pronto para SERVIR;
- Carregar a mochila às costas, é assumir responsabilidades, carregar o seu destino e manter as mãos livres para agir.
O Uniforme, mais que uma farda, é uma questão de fidelidade ao movimento e de humildade: “aquele que é fiel nas pequenas coisas também o será nas grandes”.
ASSIM, CAROS ESCUTEIROS, JOVENS E DIRIGENTES, MEDITEMOS QUANDO PENSAMOS EM USAR CALÇAS DE GANGA NAS ACTIVIDADES, CHAPÉUS DE MARCA, ROUPA QUE NOS FAÇA MAIS BONITOS, TÉNIS OU OUTRO CALÇADO, CHINELOS (estes se fora dos momentos para o efeito)...
Poderemos ficar mais bonitos, mas também estamos gritar: eu não me sinto verdadeiramente escuteiro, igual aos maus irmãos, elemento de um só corpo, com um só uniforme… eu não pertenço de corpo e alma a este grupo…
Não é o uniforme que faz um escuteiro… Mas é o espírito com que se aceita e veste o uniforme.
Não é por estar uniformizado que é melhor escuteiro… Mas distingue-te perante o mundo, como alguém especial, não mais um no meio da multidão, mas alguém que, pelo uniforme, “grita” bem alto para que todos vejam: eu estou aqui, pronto a servir, a dar-me sem medida, sem esperar recompensa, “Sou eu”, SOMOS UM!