
LEI DO ESCUTA
4 - O ESCUTA É AMIGO DE TODOS E IRMÃO DE TODOS OS OUTROS ESCUTAS
Ser amigo dos teus amigos, implica seres capaz de te colocar no lugar deles actuando com respeito e solidariedade perante as suas necessidades e diferenças e… aprendendo a perdoar. Mas este Artigo, como deves reparar, vai mais longe ao declarar que devemos ser amigos de todos. Com tal declaração pretende-se que consigamos ter a disponibilidade interior para aceitar, como possível amigo, aquele que ainda nos é desconhecido, colocando de lado reservas sem sentido relacionadas com a raça, credo, sexo, cultura, classe social, nacionalidade, etc.
É este sentimento de disponibilidade interior que nos torna capazes de nos sentirmos irmãos de todos os outros escuteiros.
Mas… tudo isto depende do sentido que damos ao conceito de amigo e amizade. Se com ele só pensamos naquela amizade de momento, que fazemos com quem lidamos na nossa vida diária, pessoas que nos agradam mas que nada nos deixam de indelével… então o conceito de amigo/amizade não tem grande significado.
Contudo, se por amizade entendermos esse laço de afecto e amor que nos une a certas pessoas, mesmo que tenham interesses distintos e idades diferentes, mas para as quais nos sentimos ligados por este laço invisível que nada, nem ninguém pode destruir… então, de facto temos diante de nós um problema!!
Esta espécie de amizade não se sente por muitas pessoas… como é possível então que um escuteiro seja amigo de todos?
A chave, creio, vamos encontrá-la no conceito de “Amor”, um dos sinais de amizade. Embora seja impossível ao escuteiro ser amigo de todos, já amar a todos é possível.
Podem objectar: “se a amizade por todos é impossível, não será mais difícil amar a todos? Isto é pior, pois estou certo de que não poderei amar todos”.
Mas não podemos mesmo? Pois se foi o próprio Jesus quem nos disse “Amarás os teus inimigos”… e se temos de amar os nossos inimigos, então é forçoso amarmos todo o mundo. Antes de reafirmarmos ser impossível, recordemos que é Deus quem nos manda amar assim.
Meditemos sobre isto e vamos encontrar pontos de comunhão com o 2º Artigo, naquilo que referimos sobre o “julgar”.
Há que fazer uma distinção: o mandamento foi de “amar” todos, não de “gostar” de todos. Muitos pensam que não se pode amar aquilo de que não se gosta… acreditam que amar significa gostar da companhia de uma pessoa, ter afinidade com ela, sentir prazer em querê-la… Mas este “gostar” não corresponde ao “amar” do ponto de vista cristão. O sentido Cristão deste conceito: desejar e fazer o bem a todos, o que é muito diferente de apenas “gostar”.
O “Amor Cristão” é um acto do espírito e da vontade e não tem, necessariamente, a ver com os sentimentos, mas inclui os sentimentos, na prática. Pelo contrário, o “amor humano”, é mesmo um emaranhado de sentimentos.
Nada como o exemplo: Encontro-me com alguém que não me agrada. Nada de mal nisso, mas há logo que pensar “não gosto desta pessoa, é desagradável, pedante, pouco caridosa… mas… foi Deus quem a criou, que gostaria que fosse melhor e que a ama com infinito amor… farei então o possível por ajudá-la, se necessário chamando atenção sobre os seus defeitos e rezando por ela”.
Isso é amor Cristão… que tem muitas traduções: amor, caridade, compaixão… é um amor forte do espírito e da vontade, que pode também estar ligado aos sentimentos, mas não necessariamente.
Este “amor” é de facto muito difícil de conseguir. Sozinhos teremos muita dificuldade em o sentir, pois é um dom de Deus e devemos pedi-lo nas nossas orações. (in: Ser Escoteiro é...)
Importante, pois reter: «A grande força do escutismo é que todos somos irmãos, sem distinção de raça, cor, nacionalidade ou classe social. Formamos todos uma grande família. Sempre que encontres outro Escuta, mesmo que não o conheças saúda-o e prontifica-te a ajudá-lo. Deves ser amigos de todos, não ofender ninguém e perdoar sempre aqueles que por alguma razão te ofenderam, mesmo que não sejam escuteiros ou que não conheças. Lembra-te de Jesus e do: “Amai-vos uns aos outros como irmãos. Vive e goza cada momento da tua vida”.» (CNE, Recursos).
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