terça-feira, 19 de agosto de 2014

PORQUE O IMPORTANTE SÃO OS JOVENS...



PARA MEDITARMOS... com MUITA seriedade (7):


O CONSELHO DE GUIAS, porque o «Escutismo sem um Conselho de Guias (bem feito), não é Escutismo, mas sim uma aldrabice qualquer...

O Escutismo nasceu com uma "coisa" chamada Sistema de Patrulhas que, ao contrário do que muitos pensam, não é apenas uma separação dos miúdos em grupinhos de 4 a 8. É muito mais que isso. E o "muito mais", passa também pela existência do Conselho de Guias.
Os miúdos têm a mesma capacidade de decisão que qualquer um de nós, adultos. Parece impossível, mas é assim mesmo. A grande diferença entre eles e nós, é que, por já termos passado por uma série de experiências e acontecimentos nas nossas vidas, conseguimos meter em cima da mesa um conjunto de variáveis sobre as quais tomamos uma decisão.
Um miúdo não se vai lembrar dessas variáveis todas, e tomará as suas decisões com base nas "poucas" que conhece.
O nosso papel, como Chefes, num Conselho de Guias (e também sempre que estamos com todos os miúdos), é meter em cima da mesa todas as variáveis que eles necessitam para tomarem a decisão que acham mais acertada.
SÃO ELES QUE DECIDEM... NÃO NÓS. Parece arriscado?...

...Pois é exactamente agora, aqui, que entra o papel do Chefe: Só temos que fazer perguntas e dar respostas, MAIS NADA! Deixar os comentários e as decisões para eles. E, por favor, não caiamos na asneira de os tratar como miúdos! Tratemo-los como se fossem adultos! Este é um dos verdadeiros segredos no escutismo.
- E porquê só fazer perguntas e dar respostas?
Através das perguntas, estamos a colocar as variáveis na mesa… Algumas das perguntas que fazemos, as tais variáveis, eles vão devolver em perguntas, confiados que teremos respostas. E nós teremos de dar essas respostas, se as soubermos, sempre de forma imparcial, sem comentários que possam ir de encontro às ideias deles.
O plano é, sem que os miúdos dêem conta, que venham a sentir os mesmos receios e preocupações que nós. E aí, é muito provável que tomem a mesma decisão que nós. Ou vai para a frente, ou não vai...
Saberemos se desempenhámos bem o nosso papel quando eles voltam para as suas Patrulhas (Bandos ou Equipas)... Aí, quando têm de alterar alguma coisa, por exemplo quando têm de anular uma descida do rio em jangadas: referem (1) que o Chefe disse que não, porque era muito perigoso, OU ENTÃO, (2) EXPLICAM, eles próprios, porque é melhor não se meterem naquela aventura, sem sequer meterem a opinião do Chefe ao barulho.
Se ACONTECER este caso (2), então sim, estamos a fazer aquilo para que nos “pagam” como Chefe de Escuteiros.
Um erro que muitos Chefes cometem, nos Conselhos de Guias, é pensarem que estas reuniões servem apenas para decidir coisas sobre actividades. Completamente errado!
O Conselho de Guias “É QUEM MANDA” na Unidade, não o Chefe. As decisões devem abranger tudo o que diga respeito à vida do Grupo. Tudo! Desde se o João da Patrulha Águia deve fazer a Promessa ou se vale a pena abrir mais uma Patrulha no Grupo.
O que sai para fora do Conselho de Guias nunca deverá ser o que o Chefe disse, mas sim o que eles - Guias de Patrulha - decidiram, porque é assim que querem e é assim que acham melhor.
Na maior parte das vezes em que achamos que a decisão deles não será a melhor, tem um efeito muito positivo deixá-los levar avante as suas decisões, mesmo que venham a resultar em fracassos.
OS ESCUTEIROS EXISTEM NÃO PARA OS MIÚDOS FAZEREM ACTIVIDADES FANTÁSTICAS, MAS SIM PARA CRESCEREM E VIREM A SER ADULTOS AUTÓNOMOS, RESPONSÁVEIS E EXPERIENTES.

Sobre aquilo que sai para fora do Conselho de Guias, deveremos ter em atenção que certos assuntos que ali são discutidos, devem permanecer em segredo (COMO NAS REUNIÕES DE ADULTOS/DIRIGENTES). E temos de lhes explicar isso, de forma a que eles compreendam e, acima de tudo, concordem.
Ter um Conselho de Guias a funcionar bem só vai trazer vantagens. Mas temos de "dar o coiro e o cabelo" nesses Conselhos. Porquê? Porque os nossos Guias passam a ser nossos parceiros...
...Há, assim, uma série de preocupações e tarefas que poderemos “delegar” se tivermos a humildade e perdermos o medo de reservar as decisões para nós e as partilharmos com o Conselho de Guias.
Claro que é muito mais fácil decidirmos nós as coisas e pronto. MAS ISSO NÃO É ESCUTISMO!
Como Chefe, não estamos cá para mandar, mas para orientar. E é orientando-os que os educamos e os fazemos crescer. Com jeitinho!
Não nos esqueçamos que o nosso papel: não é de uma ama-seca, mas de um Chefe de Escuteiros:
NÓS NÃO SOMOS UMA ACTIVIDADE DE OCUPAÇÃO DE TEMPOS LIVRES. TEMOS UM MÉTODO PRÓPRIO – O MÉTODO ESCUTISTA-, QUE EXIGE DOS ADULTOS UMA MANEIRA INVULGAR DE TRABALHAR COM OS MIÚDOS.

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